sexta-feira, 16 de agosto de 2013

2- A Tempestade

30 anos depois...
Acordei com uma voz familiar me chamando.
–Senhor Zero. Precisamos nos apressar. Acabei de ouvir da boca de um fazendeiro que uma tempestade fortíssima está vindo para a cidade!
–E como ele sabe disso? – perguntei sonolento – Ah, deve ser um Cursers do clima. Eles são bem úteis...
–Senhor Zero, são pessoas. Não podemos falar delas como objetos! – gritou o jovem.
Levantei-me e abri bem meu olho esquerdo.
–Você acha que isso é o que? Um enfeite? É uma porcaria de um Damn Eye, Steve! Você acha que essa coisa tem sentimentos? Foi feito pra ser usado e não para admirar! – retruquei.
–Está bem, está bem. O Curser aqui é o senhor... – falou Steve.
Eu ri levemente e então sacudi a cabeça.
–Você não muda meu caro amigo. – falei – Agora, me diga, o que sabe sobre essa tempestade?
–Bem... – falou Steve com a mão no cabelo – O fazendeiro disse que ela já passou por mais 3 cidades antes dessa e que causou muita destruição nelas.
–3 cidades antes dessa hein... – falei – Steve, por acaso não foram as cidades por onde passamos?
Ele pensou por um minuto e então seus olhos se arregalaram.
–Caramba! Foram sim. – disse ele – Litus, Armani e Dragórgia!
–Ok. Isso significa que estão atrás de mim. – falei.
–De nós, Sr. Zero. – disse Steve.
–Não, não. Você apenas está comigo. O procurado sou eu. – falei.
Ele assentiu relutante, e saímos do quarto. Pagamos a estadia e Steve me perguntou aonde íamos.
–Para a entrada da cidade. Se quiser ficar, sinta-se a vontade. Pode ser perigoso. Essas pessoas, que me... nos perseguem, são Spark Cursers e Wind Cursers. Controlam os raios e o vento. Por isso a tempestade. – falei.
Ele pensou por um minuto e então me seguiu.
–Senhor Zero, quantos acha que são? – perguntou Steve.
–Não sei. Talvez uns cinco, pelo grau da destruição que causaram.
Seguimos o caminho todo em silêncio. As pessoas corriam de um lado a outro para fechar suas tendas, tirar sua roupa do varal e se esconder nos porões. A tempestade poderia destruir por completo uma cidade pequena como aquela. Felizmente, se eu saísse dali e levasse os Cursers comigo para longe, o vilarejo estaria fora de perigo.
–Senhor Zero. – chamou Steve.
–Sim?
–Como aquilo aconteceu? – perguntou ele.
Eu sabia do que ele estava falando.
–Se sobrevivermos a isso eu prometo te contar. – retruquei.
–Então trate de não morrer. – respondeu.
Rimos. A alegria acabou quando avistamos a nuvem negra que chegava ao portão. Paramos do lado de fora dele.
–Eu estou aqui – gritei – Sei que me querem. Não façamos dessa cidade nosso campo de batalha pessoal. Vamos para os campos, lá poderemos lutar sem perturbar a paz.
–Senhor... – disse Steve com a mão em meu ombro.
Assenti.
–Não se preocupe. – falei – Vai ficar tudo bem.

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