O vento cortante, típico do inverno, uivava sobre a gélida paisagem branca. Após horas de caminhada eu estava exausto. Minha cabeça latejava e meus membros tremiam tanto quanto os galhos dos pinheiros sobre a montanha.
Dei mais alguns passos com a neve pelos joelhos e avistei uma caverna. Metade de mim queria seguir a caminhada na esperança de encontrá-lo antes do amanhecer, mas a outra metade dizia que nesse ritmo eu não estaria vivo ao amanhecer... Por fim, cedi aos apelos de meus membros em espasmos e me recolhi na caverna. Mais tarde, quando minhas pernas pararam de tremer, busquei alguns galhos que caíram dos pinheiros sobre a montanha e os arrumei no chão, unindo todos em uma roda. Fechei os olhos e me concentrei. Quando os abri novamente lindas chamas alaranjadas espalharam-se, vindas do meu olho esquerdo, para os galhos, formando uma fogueira aconchegante à minha frente.
Puxei um pouco da neve da rua para criar um pequeno muro na entrada da caverna.Isso não vai segurar um urso... Mas vai me dar tempo pra queimá-lo vivo pelo menospensei. Por fim arrumei um travesseiro de neve perto do fundo da caverna e mergulhei nos sonhos.
Acordei num sobressalto com um estrondo ainda ecoando na caverna. Levantei e pulei rapidamente o pequeno muro de neve. Olhei para o topo da montanha e, a princípio, não vi nada, mas depois de forçar os olhos eu enxerguei... Se Maomé não vai à montanha, a montanha vem à Maomé pensei. Minha busca acabara.
–Eu estou aqui! – gritei.
O rosto de expressão dura e uniforme me olhou sem um pingo de surpresa e então... sumiu. Todos sumiram. Antes que eu pudesse questionar lá estava ele com sua cavalaria atrás de mim. Ficamos nos encarando por um minuto e ele quebrou o silêncio.
–Fiquei sabendo que está procurando por mim. Eu estava justamente pensando em você. Estou reunindo um pequeno grupo para um objetivo especial.
–Não estou interessado em nada que não envolva sua morte. – falei rispidamente.
–Eu não estou te convidando. Muito menos pedindo sua permissão. – gritou ele em tom forte.
Fechei os olhos e avancei, ganhando velocidade a cada passo, em sua direção. Abri os olhos novamente e direcionei as chamas para os seus olhos que brilharam e repeliram-nas, lançando as chamas na neve. Uma densa cortina de fumaça se ergueu entre nós dois e eu fiquei paralisado, processando os últimos acontecimentos. Antes que pudesse entender tudo ouvi um passo e lá estava o seu rosto, de olhos bem abertos fitando os meus. Nesse instante uma dor percorreu todo o meu corpo e eu desabei no chão.
–Ah!