Lentamente meu braço direito
foi erguendo-se e Steve teve de me soltar, pois a atmosfera ao meu redor
começava a mudar. O policial franziu a testa, ainda desconfiado. Foi então que
eu senti minha garganta vibrar e a maldição começou a falar. Isso jamais havia
acontecido. Até onde chega o controle da Serpente?
-Afastem-se se prezam por suas
vidas. – falei inconscientemente, em um tom grave e rouco – Este é meu último
aviso.
As pessoas olhavam incrédulas.
Uma esfera negra formou-se na minha mão direita que estava apontada para o
policial, e todos começaram a correr desenfreados para longe dali. Meu braço
sacudia em espasmos. O policial levou a mão à cintura para sacar a espada. Eu
tentava gritar para que parasse, mas minha voz não saía. Novamente a Serpente começou
a falar com sua voz grave e rouca.
-Eu avisei. Mea est anima tua.
O que é isso? , pensei. Ao que
parece era latim, um idioma que eu não sei falar. Ao fim da frase, a esfera em
minha mão brilhou com intensidade e o policial começou a se desintegrar e tornar-se
uma espécie de fumaça que voou para minha mão. A esfera absorveu a fumaça e
começou a diminuir. À medida que ela sumia minhas forças voltavam.
-Senhor Zero! – gritou Steve.
Caí de joelhos e fiquei
olhando minha mão por um bom tempo. Esse era o auge da maldição ou qualquer dia
a Serpente ia tomar meu corpo por completo? Eu precisava de respostas. Só uma
pessoa podia me responder.
-Vamos atrás de Fukon. – falei
para Steve quando este se aproximou.
-Mas nós já estamos atrás
dele, não?
-Sim. – respondi – Mas vamos
achá-lo hoje.
Steve parou por um instante.
Andou até a minha frente e estendeu a mão para me ajudar a levantar.
-Amanhã Senhor Zero. – disse
ele – É quase meia-noite.
Lentamente as pessoas
começaram a voltar para suas casas. Outros policiais chegavam para nos
interrogar.
-Onde está o oficial Sheng? –
perguntou um homem alto.
O policial ficou me olhando
esperando resposta. Olhei para Steve e acenei positivamente. Em resposta ele
fez o mesmo e saímos correndo pelo portão da cidade. Os policiais gritavam e
tentavam correr atrás, mas éramos mais rápidos. Depois de correr por quinze
minutos e andar por mais quinze, paramos perto de uma grande figueira e
encostamo-nos a uma raiz grande. Rimos até doer a barriga. Foi quando me
lembrei da cena. Meu olhar se contorceu em uma expressão preocupada. Steve logo
notou e me indagou sobre o que estava acontecendo.
-Você viu? – perguntei – Como
o policial morreu...
Ele assentiu sério.
-Foi a maldição, não foi?
Assenti. Fez-se silencio por
um momento e então acrescentei:
-Dessa vez foi diferente...
Detive-me. Um som nos arbustos
à beira da estrada chamou nossa atenção. Olhei para Steve que assentiu em
concordância e saquei a espada. A longa e afiada lâmina reluziu à luz da lua.
Dei dois passos e novamente algo se moveu no mesmo lugar. Esperei um momento e
quando pensei em dar outro passo, partículas de terra levantaram do arbusto e
foram juntando-se até formar uma pessoa. Consegui distinguir um cavalo abaixo
dela. Mais um pouco e identifiquei uma armadura em seu corpo. Um cavaleiro. De
terra? Um Earth Curser quem sabe...
-Quem é você e por que estava
escondido aí? – perguntei.
Steve levantou, num pulo
assustado, da raiz.
-Senhor Zero! – gritou ele –
Saia já daí. Ele não é nenhum Earth Curser.
O cavaleiro continuava me
observando, imóvel. Ele ergueu a mão esquerda e apontou em minha direção.
-Zero... – começou ele com
dificuldade – Gayatta.
Estremeci. Certamente não era
um admirador. Lembrei-me do aviso de Steve. Rolei para o lado e saí correndo na
direção do cavaleiro. Mal dei um passo e bati contra uma rocha que ergueu-se à
minha frente do nada. Caí e saltei duas vezes para trás. Encostei-me ao lado de
Steve na árvore. O cavaleiro continuava apontado para mim.
-Lutar... – começou com a
mesma dificuldade de antes – Não. Cedo.
-O que veio fazer então? –
perguntei.
Steve estava grudado à árvore
como se alguém fosse levá-lo.
-Mensagem. – disse o cavaleiro
– Oeste, 4 esperar Zero. Lutar em portal. Vencer, levar cura. Perder, ficar
portal.
Assenti. Steve estava ainda
mais branco que o normal. O cavaleiro esperou um segundo e se desfez em
partículas de terra novamente. Estas por sua vez voaram pelos céus.
-Você parece conhecê-lo Steve.
– comentei.
Ele se deixou cair sentado na
grama macia. Fiz o mesmo. Steve suspirou e começou:
-É uma antiga lenda. Sobre os
Cavaleiros Elementares. Quatro guerreiros que deram origem aos quatro tipos
básicos de Cursers.
-E aquele devia representar os
Earth Cursers, certo? – perguntei.
-Sim.
-Sabe do que ele falava, sobre
um tal portal à oeste?
-Mais ou menos. – disse Steve
– Havia uma passagem da lenda que falava sobre o portal do destino. Parece que
ele contém os 4 guerreiros. Havia mais alguma coisa indecifrada ainda.
-Então ele estava me chamando
para lutar com eles? – perguntei incrédulo – Mas eles não deveriam estar
contidos no portal?
Steve deu de ombros. Pensei
por um minuto.
-Tem medo de fogo? – perguntei
– E de cavalos?
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