sábado, 10 de agosto de 2013

8- Uma nova aventura: Os Cavaleiros Elementares

Lentamente meu braço direito foi erguendo-se e Steve teve de me soltar, pois a atmosfera ao meu redor começava a mudar. O policial franziu a testa, ainda desconfiado. Foi então que eu senti minha garganta vibrar e a maldição começou a falar. Isso jamais havia acontecido. Até onde chega o controle da Serpente?
-Afastem-se se prezam por suas vidas. – falei inconscientemente, em um tom grave e rouco – Este é meu último aviso.
As pessoas olhavam incrédulas. Uma esfera negra formou-se na minha mão direita que estava apontada para o policial, e todos começaram a correr desenfreados para longe dali. Meu braço sacudia em espasmos. O policial levou a mão à cintura para sacar a espada. Eu tentava gritar para que parasse, mas minha voz não saía. Novamente a Serpente começou a falar com sua voz grave e rouca.
-Eu avisei. Mea est anima tua.
O que é isso? , pensei. Ao que parece era latim, um idioma que eu não sei falar. Ao fim da frase, a esfera em minha mão brilhou com intensidade e o policial começou a se desintegrar e tornar-se uma espécie de fumaça que voou para minha mão. A esfera absorveu a fumaça e começou a diminuir. À medida que ela sumia minhas forças voltavam.
-Senhor Zero! – gritou Steve.
Caí de joelhos e fiquei olhando minha mão por um bom tempo. Esse era o auge da maldição ou qualquer dia a Serpente ia tomar meu corpo por completo? Eu precisava de respostas. Só uma pessoa podia me responder.
-Vamos atrás de Fukon. – falei para Steve quando este se aproximou.
-Mas nós já estamos atrás dele, não?
-Sim. – respondi – Mas vamos achá-lo hoje.
Steve parou por um instante. Andou até a minha frente e estendeu a mão para me ajudar a levantar.
-Amanhã Senhor Zero. – disse ele – É quase meia-noite.
Lentamente as pessoas começaram a voltar para suas casas. Outros policiais chegavam para nos interrogar.
-Onde está o oficial Sheng? – perguntou um homem alto.
O policial ficou me olhando esperando resposta. Olhei para Steve e acenei positivamente. Em resposta ele fez o mesmo e saímos correndo pelo portão da cidade. Os policiais gritavam e tentavam correr atrás, mas éramos mais rápidos. Depois de correr por quinze minutos e andar por mais quinze, paramos perto de uma grande figueira e encostamo-nos a uma raiz grande. Rimos até doer a barriga. Foi quando me lembrei da cena. Meu olhar se contorceu em uma expressão preocupada. Steve logo notou e me indagou sobre o que estava acontecendo.
-Você viu? – perguntei – Como o policial morreu...
Ele assentiu sério.
-Foi a maldição, não foi?
Assenti. Fez-se silencio por um momento e então acrescentei:
-Dessa vez foi diferente...
Detive-me. Um som nos arbustos à beira da estrada chamou nossa atenção. Olhei para Steve que assentiu em concordância e saquei a espada. A longa e afiada lâmina reluziu à luz da lua. Dei dois passos e novamente algo se moveu no mesmo lugar. Esperei um momento e quando pensei em dar outro passo, partículas de terra levantaram do arbusto e foram juntando-se até formar uma pessoa. Consegui distinguir um cavalo abaixo dela. Mais um pouco e identifiquei uma armadura em seu corpo. Um cavaleiro. De terra? Um Earth Curser quem sabe...
-Quem é você e por que estava escondido aí? – perguntei.
Steve levantou, num pulo assustado, da raiz.
-Senhor Zero! – gritou ele – Saia já daí. Ele não é nenhum Earth Curser.
O cavaleiro continuava me observando, imóvel. Ele ergueu a mão esquerda e apontou em minha direção.
-Zero... – começou ele com dificuldade – Gayatta.
Estremeci. Certamente não era um admirador. Lembrei-me do aviso de Steve. Rolei para o lado e saí correndo na direção do cavaleiro. Mal dei um passo e bati contra uma rocha que ergueu-se à minha frente do nada. Caí e saltei duas vezes para trás. Encostei-me ao lado de Steve na árvore. O cavaleiro continuava apontado para mim.
-Lutar... – começou com a mesma dificuldade de antes – Não. Cedo.
-O que veio fazer então? – perguntei.
Steve estava grudado à árvore como se alguém fosse levá-lo.
-Mensagem. – disse o cavaleiro – Oeste, 4 esperar Zero. Lutar em portal. Vencer, levar cura. Perder, ficar portal.
Assenti. Steve estava ainda mais branco que o normal. O cavaleiro esperou um segundo e se desfez em partículas de terra novamente. Estas por sua vez voaram pelos céus.
-Você parece conhecê-lo Steve. – comentei.
Ele se deixou cair sentado na grama macia. Fiz o mesmo. Steve suspirou e começou:
-É uma antiga lenda. Sobre os Cavaleiros Elementares. Quatro guerreiros que deram origem aos quatro tipos básicos de Cursers.
-E aquele devia representar os Earth Cursers, certo? – perguntei.
-Sim.
-Sabe do que ele falava, sobre um tal portal à oeste?
-Mais ou menos. – disse Steve – Havia uma passagem da lenda que falava sobre o portal do destino. Parece que ele contém os 4 guerreiros. Havia mais alguma coisa indecifrada ainda.
-Então ele estava me chamando para lutar com eles? – perguntei incrédulo – Mas eles não deveriam estar contidos no portal?
Steve deu de ombros. Pensei por um minuto.

-Tem medo de fogo? – perguntei – E de cavalos?

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