domingo, 11 de agosto de 2013

7- Cidade Fantasma

Meu coração parou quando a janela em mosaico atrás do altar se partiu e minhas chamas ficaram azuis. Forcei os olhos e identifiquei uma silhueta de capuz sobre a janela. Antes que eu pudesse perguntar quem era ou o que queria ali meu corpo ficou imóvel. Vi minhas chamas se extinguirem aos poucos enquanto tudo ia ficando turvo em minha visão. De repente, sem aviso, caí e desmaiei.
Acordei com uma forte dor na nuca e senti que algo estava fora do lugar. Virei-me e levei um imenso susto quando percebi que algo destruíra a parede às minhas costas. Uma cratera fumegante ocupava o lugar. Ao olhar o solo mais de perto tudo fez sentido. A Maldição. Perdi a consciência e a serpente tomou o controle do meu corpo. Mas algo ainda estava fora de nexo ali. A sombra na janela. Virei-me para lá e o vidro, antes quebrado, estava inteiro novamente. O Golem estava caído ao lado do altar. Andei cambaleante até lá e ele não se mexeu. Desconfiado, bati com a espada em sua cara. Logo notei. Faltava uma letra na estranha palavra em sua testa.
–Algum tipo de feitiço? – comentei sozinho – Não pode ser um Curser certamente. A menos que...
Enterrei as mãos na argila mole e em seu centro, antes do mesmo material, encontrava-se um corpo humano. Santo deus. É uma mulher! O pânico tomou conta de mim. Aquilo me perturbou imensamente. Saí correndo sem rumo até me lembrar das pessoas com quem conversara antes de enfrentar a criatura. Tomei o caminho de sua casa e bati desesperado na porta. Ninguém abriu.
–Sou eu. – gritei – O Zero. Abram. Eu matei o Golem.
Sem resposta. Bati muitas outras vezes até me cansar e por fim derrubar a porta. Novamente fui tomado pelo pânico. A mulher, o idoso e a criança estavam caídos no chão. Todos com profundos cortes na garganta. Virei-me e corri desesperado.
A noite escurecia cada vez mais e mais e as sombras pareciam dançar na assustadora floresta. Voltei até Trivil em duas horas.
–Por favor. Eu estou procurando uma pessoa. Seu nome é Steve. – falei ao guarda do portão principal.
Descrevi-o para o guarda que logo foi perguntar aos seus colegas. Já estava perdendo as esperanças quando finalmente um deles lembrou-se.
–Ah sim. – disse o guarda – Eu o vi sair dos prados e entrar pelo portão norte. Parecia enfurecido. Perguntei se precisava de algo e ele me disse que ia apenas descansar.
Congelei por dentro. Então Steve nunca pensou em me abandonar. Foi apenas um momento de fúria...
–Isso... – comecei – Onde eu posso encontrá-lo?
–Aqui. – gritou uma voz familiar atrás de mim.
Steve vinha andando de seu jeito desleixado. Passou pelo portão e sorriu. Quando tentei abraçá-lo ele me deu um soco forte no rosto. Os guardas arquejaram surpresos.
–Nunca mais pense em partir sem mim Sr. Zero! – gritou ele rindo.
Enfureci-me por um momento e então me deixei cair na gargalhada. Os guardas, agora mais calmos, riam junto.
–Você bate bem. – falei – Talvez devêssemos adiar o treinamento.
Ele riu.
–Sempre há o que se aprender.
–Bem. – comecei – Vamos descansar esta noite e na manhã seguinte partimos para Durville. Felizmente eu já sei caminho correto...
Um dos guardas me olhou, curioso.
–Como assim “o caminho correto”? – perguntou ele – É só seguir por essa estrada.
–Ah, mas há uma bifurcação não mapeada na rota. – respondi.
Seus olhares ficaram ainda mais curiosos.
–Não senhor. – disse um dos guardas – Ainda ontem fiz uma entrega em Durville e não havia nenhuma bifurcação. Só há essa estrada para lá.

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