Imediatamente os três Spark Cursers ergueram suas clavas e poderosas bolas de raios partiram em minha direção. Saltei e rolei no ar para desviar delas. Quando pus os pés no chão novamente comecei a correr em sua direção. Espada em punho, coragem armada e corpo pronto. Há dez passos deles caí. Minha visão ficou turva e me senti tonto. Imediatamente eu soube que estava acontecendo. Aquilo despertou. Olhei minhas mãos. Elas estavam envoltas em uma aura roxa. Levantei com cuidado e senti que algo puxava minha mão na direção dos Spark Cursers. Ergui o braço e um buraco negro começou a consumir tudo na direção deles. O chão se desintegrava em matéria negra e o ar se distorcia e metamorfoseava em diversas cores.
–Santo deus! Então é verdade! – gritou um dos adversários – Ele é mesmo um dos amaldiçoados de Fukon!
Os outros dois assentiram, pasmos, antes do buraco negro os consumir. Tudo que restou foi uma cratera gigante no local onde eles estavam antes. A terra, ressecada, se desfazia ao mais delicado toque. Era como se aquilo sugasse a vida das coisas.
–Senhor Zero, senhor Zero! O que foi aquilo? O senhor está bem? – gritou Steve enquanto corria na minha direção.
Acenei, indicando que estava tudo bem.
–Gostou do show? – brinquei.
–Não brinque com isso Senhor Zero! – disse ele – O que foi aquilo?
Pensei um minuto. Eu prometi pra ele que contaria tudo se sobrevivêssemos. Decidi.
–Está na hora de você saber um pouco mais sobre a minha maldição. – falei.
–Jura? – perguntou ele, radiante – Sinto-me honrado em saber que o senhor confia em mim a tal ponto!
Avaliei-o. Ele estava pronto, mas não para tudo. Decidi contar-lhe apenas os fatos principais, mas deixar alguns detalhes importantes de fora.
–O homem que me amaldiçoou se chama Fukon... – hesitei – Fukon... Gayatta.
Ele ficou boquiaberto.
–Senhor Zero... Ele é...?
–Sim. Meu pai. Fukon Gayatta. – falei.
Esperei um momento antes de recomeçar.
–A Maldição da Serpente. É assim que é chamada. – falei – Ela permite que o usuário multiplique por 10 todos os seus atributos. Mas em troca, consome a vida das coisas ao seu redor. Vê aquela cratera? – apontei – Foi feita pela maldição. Ela desintegrou tudo ao meu redor e sugou a vida do que restou por perto.
–Mas, isso não tem importância, tem? – disse Steve – É apenas terra...
–Não é só isso. – falei – Os detalhes você ainda não está pronto para ouvir.
Ele fitou-me confuso. Eu menti para ele sobre contar tudo...
–Senhor Zero. O Senhor fez uma promessa. Zero Gayatta sempre cumpre suas promessas! – disse ele.
Olhei seu rosto. A face de alguém maduro. Cabelos negros curtos e olhos castanhos. Feições jovens mas sábias. Roupas velhas mas modestas.
–Lamento Steve. Dessa vez terei de voltar atrás com minha promessa. Foi mal-pensada. – falei.
Ele deu de ombros. Virou-se com os olhos marejados e saiu andando. Uns passos adiante pôs a mão no bolso da calça e tirou um papel que jogou no chão. Aproximei-me do papel enquanto ele se afastava. Era a foto que tiramos no dia em que nos conhecemos. Quando encontrei Steve ele morava nas ruas. Dizia que sonhava em conhecer o mundo. Ofereci-lhe minha companhia e ele aceitou prontamente. Desde então partimos mundo afora em busca da cura para essa maldição.
Olhei para frente. Ele já estava bem longe. Provavelmente nunca mais iria querer me ver. Decidi que não havia chance de me redimir, portanto o melhor a fazer era deixá-lo. Doía muito abandoná-lo à sua própria sorte. Resolvi que iria pelo menos lhe deixar algo. Abri minha bolsa de moedas e retirei 5 moedas de ouro, o que daria para ele sobreviver por pelo menos meio ano naquela cidade. Deixei com um mensageiro ao qual descrevi Steve e pedi que lhe entregasse o dinheiro. Junto com as moedas deixei um bilhete me despedindo e dizendo que se um dia quisesse me encontrar de novo eu estaria a sua espera.
Segui a passos lentos pela estrada empoeirada que levava à saída Sul da cidade. Parei por um momento no portão e me virei. Lágrimas correram de meus olhos. Adeus Steve.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Gostou?
Sim? Elogie!
Não? Critique construtivamente o autor!